Aviso: deve ser lido com o special LTCTFG soundtrack vocal para momentos lamechas.
Ontem foi um dia peculiar. Dancei hip hop 'a sério' (na minha própria escala de seriedade, não na dos outros) pela primeira vez em 3 anos e meio. E devido à saudade de tanto tempo, custou-me muito. Também me lembrou que a dança me proporciona um estado cansado e ofegante de paixão, como se amasse alguém muito mais veloz que eu que nunca conseguirei alcançar. Pouco importa - continuarei envolta na beleza desta corrida que mexe comigo. Ontem fiquei abalada pelo tamanho talento e alento de tanta gente que vi. Pela humildade de quem sente o que faz. Falando poesia com o corpo. Contando histórias que não cabem em palavras. Iluminando partes do ser que não nos sabíamos capazes de mover. Movimentos vulneravelmente sinceros. Ritmos que nos descoordenam, revelam e reajustam. Gestos que fazem cócegas ao humor e ficam bem ao espelho. Parabéns por tudo isto.
Regressarei à minha 'casa lá fora' (porque a verdadeira casa de cá não me alimentou a ambição) com um exemplo inspirador de um grupo de artistas que, apesar das dificuldades, criou 'cá' essa sua própria casa de ambição. Obrigada por servirem a arte em Portugal com trabalho árduo, inovação, e tanta honestidade. Obrigada, em especial, por inspirarem e apoiarem com tanto carinho a minha irmã pequenina de onze anos e sonhos enormes.
Vocês são mais uma grande prova que os palcos portugueses se devem abrir e as plateias se devem encher. Desejo-vos os maiores sucessos e realização, que sejam muito felizes a dançar e a partilhar a dança a partir dessa vossa casa de nome estranho.
Para terminar, roubo umas palavras à minha segunda língua, já que a minha 'main' não combina os significados de 'emocionar' e 'mexer' tão subtilmente na mesma palavra.
You moved us. No, you 'danced' us. And that is the most moving way of being moved.