September 24, 2011

Assim

Deito-me aqui e respiro. Os músculos pulsam em revolta contra mim e a minha inércia. Rangem numa melodia dolorosa. Mantenho-me enrolada neste cobertor de melancolia que me acolhe e se molda a mim num conforto que desconforta. Parto-me entre o fazer e o não fazer, o pensar e o não pensar, perco-me em redundâncias falsas que me enganam a mente. A voz está rouca e mal me deixa falar. Cá dentro adormeceu porque a verdade me aleijava. Verteram-me para a cabeça uma solução anestesiante de energias pesadas e desertores de razão. Tudo isto me chora nos olhos e me pesa nas gargalhadas. Tenho um exaustor ligado que não funciona senão a encher os ouvidos de ruído e inquietação. Aos poucos torna-se barulho de fundo, aos muitos sombra constante que se disfarça mas continua lá. Continua lá. Estou presa neste zunir constante de tudo. Quero silêncio. Quero ouvir-me.


consolido-me então em palavras agrupadas sem sentido, tradutoras falíveis de sentimento, acariciadoras afáveis de deprimências em vão.

September 16, 2011

vidros, injecções e portas.

e estamos de volta com deprimências momentâneas. passados muitos dias. alguns meses. aqui estou.

Perco-me nesta iminência de ser e de continuar a sê-lo. Não me sei como sou, não me sei como serei, sei como me quero ser. Injecto na mente pensamentos forçados de produtividade, de certezas que se dissolvem de imediato e se esvaem no vazio. Doem-me estas injecções acertadas, de caminhos traçados que não vão dar a lado nenhum.

Ponho pé ante pé num chão de vidro quebradiço que desemboca numa porta em que não caibo inteira, sem me espremer tanto até que me quebre e só passe em pedaços de cada vez. Caminho, porém. Só não olho para trás com medo que o vidro se parta e tenha também de me rasgar para regressar. E com medo de passar a viver aos bocados mas inteira de um risco que não tomei.

Mas o chão de vidro é bonito e pela frincha da porta corre um fio de luz.