May 30, 2010

30.05.2010

vá, vou escrever.
Palavras, palavras, palavras. Algo que combine, que pareça bonito. Que encaixe.
Cá dentro tenho uma voz muda que as chama. Mas elas são surdas. Vêm por instinto. O instinto ao qual se chama sexto sentido. Elas, as palavras, são o meu sexto sentido. Há dias que as sinto. Que tenho o designado 'intuito' de as chamar com a minha voz interior muda e elas têm o 'intuito' de me ouvir, mesmo sendo surdas. Há dias assim. E depois tenho os outros dias. Os chamados dias de cinco sentidos. O caso bicudo está no facto de eu ser altamente mimada. Habituei-me a ter uma voz interior muda que chama palavras surdas. Habituei-me ao instinto, habituei-me ao sexto sentido. As palavras mal habituaram-me. Estou mal-habituada. Choro nos dias de cinco sentidos porque me acho digna de ter os seis sentidos a tempo inteiro. Amuo quando fico presa nos becos sem saída de falta de creatividade. E não saio de lá, sento-me no chão molhado e gélido com falta de sentimentos e fecho os olhos perdida na inércia da escuridão. Nesses momentos, paraliso. Julgo-me dona de palavras surdas porque tenho uma voz interior muda. Onde é que isto já se viu? Estou a enlouquecer. E tudo se deve à porcaria do sexto sentido que me mal habituou. A droga das palavras viciou-me. Virei toxicodependente.

Também se deve a ti, embora não saibas que é a ti que me refiro. É, tens culpa! Bastou-te existir.

May 27, 2010

27.05.2010

E é neste impasse de vazio que me dá vontade de escrever. Não me perguntem porquê, porque a minha voz não sabe declamar a resposta.
Estou farta. Farta do desassossego, do vazio, de choros evitados, sorrisos impuros, amizades estilhaçadas e pancas que nunca mais acabam. Já me rio de estar farta. Já grito de estar farta. Até já durmo de estar farta! Tenho dias de estar farta. Noites de estar farta. Estou farta de estar farta!
Quero esboçar o sorriso que não esboço. Chorar as lágrimas que não choro. Rir às gargalhadas do que não rio. Amar o que não amo. Esquecer o que não esqueço. Gostar do que não gosto. Cortar o que não corto. Mentir o que não minto.
Quero viver. Viver sem estar farta. Viver o que não vivo.


May 25, 2010

miss you

A saudade são cartas inacabadas que permanecem na gaveta do coração.

[sofs, é minha e tua]

May 09, 2010

9 de Maio de 2010

Hoje é um dia normal. Apetece-me escrever sobre este dia. Não porque é igual aos outros, mas porque todos os dias iguais têm coisas diferentes. Nem que seja uma alteração de temperatura, um raio de sol mais brilhante, uma maior percentagem de humidade no ar, um grau de boa-disposição maior ou menor. Igualdades verdadeiras só mesmo na matemática. E não tenho a matemática num lugar de relevo no meu pensamento portanto vou mantê-la onde está - disfarçada, escondida nas sombras. Voltando ao ponto principal (se é que ele existe), vou escrever sobre o dia de hoje. Hoje, não 9 de Maio de 2010, mas o 9 de Maio de 2010. Há dezasseis anos atrás nasceu uma pessoa que eu conheço. E a quem chamo amigo, não sei bem porquê. Bem, a definição de 'amigo' tem muito que se lhe diga. Existem os amigos ao sol, recheados de luz e nos quais conhecemos cada traço de rosto, prevemos cada movimento que vai esboçar e adivinhamos cada palavra que vai dizer. E depois existem os amigos na penumbra. Esses são aqueles que têm uma vida quase paralela à nossa e - lá vou eu distorcer a matemática outra vez - de vez em quando se desviam do caminho e lá se encontram connosco. Este meu amigo que nasceu há dezasseis anos atrás é um amigo na penumbra. Isto porque lhe conheço o rosto à distância, prevejo as jogadas em campo, conheço-lhe o andar descontraído e sei que o sorriso dele (mesmo que distante e sem ser esboçado para mim) me faz sorrir. Não me vou redimir a tretas e dizer que é o meu amigo mais importante, o de que mais gosto ou o meu melhor amigo. Estaria a mentir. É o meu único 'amigo na penumbra' e acho que é isso que o faz ser especial. Tenho muitos amigos ao sol e nesses deposito toneladas de amizade. Neste meu 'amigo na penumbra' tenho a oportunidade de divagar e de o encontrar de vez em quando só para uma troca de palavras escritas, de sorrisos ou olhares desviados. E a esses pequenos actos, talvez considerados insignificantes, chamo-lhes amizade.
Se gostava que a penumbra fosse iluminada, nem que de vez em quando, por uns raios de sol, para desvendar mais segredos da personalidade deste meu único amigo de olhos tricolores? Sim, gostava. Mas tenho a sensação que vais ser sempre o meu amigo na penumbra.

Parabéns.



May 08, 2010

Conto de fadas.

Gostava que o dia de hoje tivesse sido um conto de fadas. P ensando bem, nem exigia tanto. Um conto de felicidade. Repensando melhor, secalhar as fadas têm mais probabilidade de existir. A minha felicidade está de férias ou, provavelmente, pré reformou-se. Isso seria mau. Vou pensar que não. O meu subconsciente pensa que sim.

Era uma vez ...


[ O vazio ]

May 05, 2010

devaneios

O problema está na inexistência. No facto de a boa-disposição decidir tirar-férias, e os sorrisos perderem veracidade. Inexistência, nem que seja temporária, de risos, de vida, de algo. E ainda se diz que o 'algo' não é importante. É claro que é. Estou cansada de perder camadas de mim própria. E o 'algo' cola-as. As camadas, quero eu dizer.

Ocupo-me a pensar que é só mais um mês. Mas ninguém me garante que daqui a 30 dias algo vá mudar. Não tomo por adquirida uma mudança de rumo positiva. Ninguém me dá certezas de nada. Continuo na minha: é a incerteza que nos faz avançar.

A incerteza causa-me engulhos. E a inexistência agonia-me.
Melhor era impossível.