Um espaço de palavras e pensamentos, às vezes ambos/A space of words and thoughts, sometimes both. Aveiro, Portugal/Cambridge, United Kingdom. Às vezes em Português/Sometimes in English.
October 24, 2011
October 16, 2011
Shake it out
Shake it out, shake it out.
And it's hard to dance with a devil on your back
So shake him off.
Estou a tentar conter o meu lado sombrio de melancolias e afins. Vivo demasiado da vida mergulhada nessas sombras e embrulhada nesses cobertores. Tenho uma afeição estranha pelos recantos de mente escuros que me obrigam a pensar mais além e a julgar-me criativa. Às vezes subo à plataforma de cima e deixo-me estar a pensar à superfície, mas há sempre uma voz que me afasta daquela brisa estável e enganadora e me faz mergulhar. E depois há o limite. Aquele pedaço de mente completamente à parte e em linha recta que tem 'ultrapassa-me' escrito na testa. Tenho disputas constantes com esse individuo incapaz de se conter em provocações. Há dias em que gosto de o pisar, outros de balançar-me em cima dele. O êxtase às vezes põe-me molas nos pés e atrevo-me a saltá-lo sem fazer ideia do que está do outro lado. Mas depois há os dias. Aqueles dias. Quando o limite sobe bem alto, ou se estende ao fundo duma planície infinita que cansa só de olhar. Aqueles dias em que o limite me escreve 'incapaz' na testa. Provocador constante, nomeei-o eu, e repito. A linha abstracta mais concreta de sempre. Por vezes levam-me ao limite. Por outras a meio caminho. Às vezes vou sozinha, às quedas ou a voar. E o que encontro depois? Qualquer coisa. Mas qualquer coisa marcante, nem que seja só pela viagem.
Ontem e hoje foram daqueles dias. Ontem e hoje levaram-me a um confronto com o limite. Estava lá longe, bem no fundo. Desisti. Levantei-me. Doeu. Caí. Ergui-me de novo. Vieram ter comigo, vocês. Tiraram-me peso dos ombros e obrigaram-me a não desistir. A minha mente sintonizou-se. Apaguei o 'incapaz' da testa, ajudada pelo suor que escorreu. E depois superei-me. A linha num instante aproximou-se. Passá-la foi indiferente. Mas depois olhei para trás e a viagem encheu-me até ao limite.
Mas que é isso do limite?
Dancei, dançámos. Para mim, para nós. Porque sim. Porque nos faz sentir bem, porque nos faz sentir cheios, porque nos faz sentir-nos. Porque sim. Dancei, dançámos. Graças a mim, graças a nós. Porque sim. Porque somos capazes, porque há uma parte de nós que não vive sem isto, porque nos somos. Porque sim. Dancei, dançámos. Aqui e mais além. Porque sim.
E dançaremos.
Obrigada.
September 24, 2011
Assim
Deito-me aqui e respiro. Os músculos pulsam em revolta contra mim e a minha inércia. Rangem numa melodia dolorosa. Mantenho-me enrolada neste cobertor de melancolia que me acolhe e se molda a mim num conforto que desconforta. Parto-me entre o fazer e o não fazer, o pensar e o não pensar, perco-me em redundâncias falsas que me enganam a mente. A voz está rouca e mal me deixa falar. Cá dentro adormeceu porque a verdade me aleijava. Verteram-me para a cabeça uma solução anestesiante de energias pesadas e desertores de razão. Tudo isto me chora nos olhos e me pesa nas gargalhadas. Tenho um exaustor ligado que não funciona senão a encher os ouvidos de ruído e inquietação. Aos poucos torna-se barulho de fundo, aos muitos sombra constante que se disfarça mas continua lá. Continua lá. Estou presa neste zunir constante de tudo. Quero silêncio. Quero ouvir-me.
consolido-me então em palavras agrupadas sem sentido, tradutoras falíveis de sentimento, acariciadoras afáveis de deprimências em vão.
September 16, 2011
vidros, injecções e portas.
e estamos de volta com deprimências momentâneas. passados muitos dias. alguns meses. aqui estou.
Perco-me nesta iminência de ser e de continuar a sê-lo. Não me sei como sou, não me sei como serei, sei como me quero ser. Injecto na mente pensamentos forçados de produtividade, de certezas que se dissolvem de imediato e se esvaem no vazio. Doem-me estas injecções acertadas, de caminhos traçados que não vão dar a lado nenhum.
Ponho pé ante pé num chão de vidro quebradiço que desemboca numa porta em que não caibo inteira, sem me espremer tanto até que me quebre e só passe em pedaços de cada vez. Caminho, porém. Só não olho para trás com medo que o vidro se parta e tenha também de me rasgar para regressar. E com medo de passar a viver aos bocados mas inteira de um risco que não tomei.
Mas o chão de vidro é bonito e pela frincha da porta corre um fio de luz.
May 22, 2011
how I feel
Não sou escritora. Escrevo para calar o pensamento. Não sei acabar uma história. Farto-me dela a meio, irrito-me com os clichés, as personagens causam-me engulhos, a noção de tempo esvai-se, o espaço resume-se a nada. Não sou poetisa. Não sei escrever versos. Muito menos agrupá-los em estrofes. A estrutura é demasiado obtusa, acutila-me a mente e deixa-me a sangrar de desespero. Não sou nada. As palavras frustram-me, a gramática é demasiado correcta para mim e tenho fobia a páginas em branco. Sou um depósito de palavras inquietas e ideias confusas que não aguentam tempo nenhum na gaiola do pensamento. Vivem aos saltos cá dentro, num turbilhão que me rouba o Norte e me impede de pensar direito. Cuspo palavras, pontapeio palavras, choro palavras, rio palavras, grito palavras. Não as domino, elas dominam-me. Vivo em função delas e para elas. Elas sobrevivem-me.
Não sou escritora. Não sou poetisa. Não sou nada.
Rute.
May 16, 2011
Despedida
May 08, 2011
David Fonseca
May 01, 2011
Vazio de ti.
April 03, 2011
Rhythm&Dance
March 17, 2011
Pôr-de-ti

March 16, 2011
#prayforJapan
March 14, 2011
excerto 2
Debater-me com a ideia de escrever algo profundo que faça as palavras parecerem peças de puzzle extremamente bem encaixadas, está a desencaixar-me toda. Pontapear palavras para uma página em branco numa conjugação ilógica de sentimentos, é algo que me apetece fazer. Muito. Apetece-me falar aquele dialecto, muitas vezes impossível de descodificar, que viaja desde a região mais interior de mim para um espaço vazio. E continua ilegível. Fazê-lo seria como tirar uma fotocópia a sentimentos e colá-los na testa de alguém: as pessoas que passassem continuariam sem perceber uma vírgula. Portanto não vou fazê-lo. A piada de escrever está precisamente na passagem do abstracto para o concreto, neste caso, concretizar emoções, ideias e sentimentos, em palavras. Um escritor, ou alguém que escreve, não passa de um tradutor. Falamos abstracto, traduzimo-lo para concreto. Fazemos a tão problemática passagem do invisível para o visível, do incompreensível para o compreensível, do ilegível para o legível. Fazemo-lo para nós, para nos percebermos – às vezes para nos confundirmos mais, mas enfim. Fazemo-lo para os outros, como forma de comunicação – a mais ágil que temos. Estou a fazê-lo para ti.
March 05, 2011
Estragamo-la. Estragamo-nos.
March 02, 2011
Coisas confusas
January 26, 2011
Motor de Palavras.
January 20, 2011
Pedaço de um passado recente
Encontrei isto no meu baú de textos perdidos. Uma vez que a minha inspiração fugiu, deixo-vos um pedaço de um passado quase recente.
Todos nós somos filosofia. Dependemos do “quando”, do “onde”, do “quem” e do “como”. Tentamos arduamente responder às questões que vão ao profundo de nós, de modo a arranjarmos explicações e algum sentido para o que andamos aqui a fazer. Vamo-nos construindo aos poucos, um bocadinho dali, um bocadinho de acolá, um bocadinho de nós. À medida que o tempo passa vamos reformulando as teorias que temos sobre nós próprios. Descobrimos que não somos fixos nem objectivos, somos misturáveis e subjectivos. Confortamo-nos nos momentos menos bons e sentimo-nos orgulhosos nos melhores. Reflectimos a toda a hora com a intenção de definir o que somos, de perspectivar a realidade da nossa pessoa e de arranjar forma de lidar connosco acertadamente. Acontece que somos filosofia: não temos uma definição unívoca. E ao mesmo tempo somos filósofos de nós próprios em busca do auto-conhecimento e da própria definição. Em vão? Quem sabe (?).
comentem
January 16, 2011
Lugar1
January 02, 2011
título indefinido/a apurar

