April 10, 2016

when you tear your eyes open in the night like so

when you tear your eyes open in the night like so
at 4 am when darkness is about to peak
and get in a car to sit in narrow warmth
your back against a black leather seat
thinking, driven
you are on a mission

and so is every other pair of lights
ocasionally speeding into your eyesight
litting up like matches that vanish
with
tyres untired because they must
if the driver awoke indeed they must
brave the cold that follows like glued shadow
going somewhere meaningful
or coming from whoever didn't let them go
until now

so late it's nearly early.


April 06, 2016

timewasting.wastingtime

I don’t waste time
Handling my hair
Wild as it wakes -
Is, goes.

Waste time, time wasting
Without time tables
Wasting time.

I waste time, time wasting
Time wasting, I waste time.

Tick tock
Time waste
Waste time
Tock tick

-          Stop. Be deep.

Pile of books rests on the table
-          Look at it!
Wasting time.

-          Add up the times you wasted
Wasting time

The very act
Is timed

wasted.


I wrote this last year, wasting time. Always suitable. Now I'm posting it, time wasting.

December 14, 2015

Não é a minha 'main' arte, mas 'whatever' - é muito amada. (O que me ficou de um workshop com os LTCTFG)

Aviso: deve ser lido com o special LTCTFG soundtrack vocal para momentos lamechas.

Ontem foi um dia peculiar. Dancei hip hop 'a sério' (na minha própria escala de seriedade, não na dos outros) pela primeira vez em 3 anos e meio. E devido à saudade de tanto tempo, custou-me muito. Também me lembrou que a dança me proporciona um estado cansado e ofegante de paixão, como se amasse alguém muito mais veloz que eu que nunca conseguirei alcançar. Pouco importa - continuarei envolta na beleza desta corrida que mexe comigo. Ontem fiquei abalada pelo tamanho talento e alento de tanta gente que vi. Pela humildade de quem sente o que faz. Falando poesia com o corpo. Contando histórias que não cabem em palavras. Iluminando partes do ser que não nos sabíamos capazes de mover. Movimentos vulneravelmente sinceros. Ritmos que nos descoordenam, revelam e reajustam. Gestos que fazem cócegas ao humor e ficam bem ao espelho. Parabéns por tudo isto. 
Regressarei à minha 'casa lá fora' (porque a verdadeira casa de cá não me alimentou a ambição) com um exemplo inspirador de um grupo de artistas que, apesar das dificuldades, criou 'cá' essa sua própria casa de ambição. Obrigada por servirem a arte em Portugal com trabalho árduo, inovação, e tanta honestidade. Obrigada, em especial, por inspirarem e apoiarem com tanto carinho a minha irmã pequenina de onze anos e sonhos enormes. 
Vocês são mais uma grande prova que os palcos portugueses se devem abrir e as plateias se devem encher. Desejo-vos os maiores sucessos e realização, que sejam muito felizes a dançar e a partilhar a dança a partir dessa vossa casa de nome estranho. 
Para terminar, roubo umas palavras à minha segunda língua, já que a minha 'main' não combina os significados de 'emocionar' e 'mexer' tão subtilmente na mesma palavra.
            You moved us. No, you 'danced' us. And that is the most moving way of being moved. 

November 29, 2015

through the window



The weeping tree never so brutally wept
With her branches under water
And the current so painfully strong.
Bent. 
Swept, leapt, the leaves never so upset
As wind creeps fast through the cracks
And splashes wet on my skin.

I beg the ocean of gust not to break
The weeping tree down to the bottom
My tears may change the current
-          Not yet.
Maybe tomorrow.

August 09, 2015

'Um dia em Lisboa, seguindo Pessoa' ou '8/8/2015: Em rasto Pessoano'

Ontem recalquei os passos - quiçá! - do poeta lisboeta na sua cidade sofrida e amada. O roteiro Pessoano que me encheu a alma começou na inigualável e acolhedora Casa Fernando Pessoa. Plantada e revitalizada em pleno Campo de Ourique, encontra-se de porta aberta aos mais ávidos apaixonados inquiridores. Nas paredes brancas da fachada as palavras belas inclinam-se e tocam-nos de viés. Estendem-se a fio quadras, excertos, mapas e aforismos que assim expostos tão de fronte teriam, se ainda vivo, agoniado o autor. (De onde estiver que já as olhe sem aflições). Cá para mim a tinta negra falou bem alto, mesmo que silenciosamente e sem incomodar. 
Já passada a porta verde original que tantas vezes Fernando e Pessoa, homem e génio, terá aberto e fechado a pensar, entra-se numa atmosfera de luz. A obra de remodelação foi bem desempenhada, já que em nada desmoronou o espírito da casa. Nas palavras aliciantes de um orador nato somos transportados material e imaterialmente pela vida do poeta. Pelo seu espaço de quinze anos de vida e pela sua alma intemporal o percurso é sinuoso e emocionante. Pelos olhos de Almada vê-mo-lo a cores vestido à Orpheu. Com uma cópia original de "Mensagem" entre mãos sentimos o raspar do seu lápis perfeccionista. (Aqui as lágrimas ameaçam-me num ardor atrás dos olhos e uma ligeira acidez no nariz). No minimalismo dos seus pertences observamos a imensidão do seu espírito. No ar o génio, na cama o homem. Como em papel e palavras tanto se desdobrou!

(Por vezes desencontrei-me assim parada, a respirar fundo). 

De lá subimos ao sonhatório, desta vez um sótão físico e iluminado (oscilando do meu mais usual imaginário e predominantemente nocturno). Aqui deliciámo-nos com mais histórias curiosas de um amor mistério a Ofélia já desvendado, um Álvaro de Campos a sensor que fala para nós, e um devoto pessoano que tanto e tão amavelmente nos diz. 
Ainda em deslumbre recalco novamente as escadas - sim, que depois de Pessoa as calcar, já o foram - e regresso, com um desvio pelo quarto, ao rés-do-chão. Dá-se por terminada a visita, mas não a sorte. Por mais vinte minutos de conversa, sou guiada  em aprendizagem e com simpatia por Ricardo Belo de Morais e o 'seu' Pessoa. Agradeço muito a sua orientação. 

[Parto então com um saco cheio de livros e muitas palavras no peito, para uma caminhada pela cidade].

Agosto aquecia o corpo a 30º e realçava a cor das casas no sobe e desce de ruas. As encostas sorriam e um afluente largo de turistas ia desaguar ao Tejo. A 'minha pátria' mal se ouvia. O pai, de câmara na mão, registava fotograficamente a beleza. (E eu amava a cidade, amava a cidade a cada passo).
Parámos na Brazileira e imaginei-o no mesmo canto, sentado pensando, bebendo e fumando, escrevendo - tanto em tertúlia como em solidão. Fitámos o mesmo tecto. Na Livraria Bertrand, senti-lhe parte da falência crónica na minha dolorosa resistência à tentação de adquirir livros. (Ali estive em casa!)
Largo de São Carlos - local de nascimento, 4º andar, 1888. De lá também se pode dizer que saí, metaforicamente, de livro na testa. (Ah Pessoa, que até de livro encostado aos olhos tu vias!)
Nas ruas da Baixa, a calçada escorrega de tantos passos que lá deste e de tão polida que a deixaste. (Olha falo agora para ti diretamente, neste desvio tão natural e desapercebido; chamem-me louca que não me importo, já Shakespeare dizia...) À Bernardo Soares andei desassossegadamente fitando o Tejo reluzente, e subi pela penumbra da Rua dos Douradores - por quantos quartos que desabitaste passei? (Quero viver na Baixa. Que Londres se lixe temporariamente! Tenho esta febre alta de viver na Baixa - e paradoxos destes não se ignoram.) Passei por uma placa de mármore em que gravado se lia 'Antiga Casa Pessoa'. Escreveste-te pela cidade toda, tens-te assim - desdobrado - numa multiplicidade de esquinas.

Ainda sem frio anoiteceu e no Leão Pobre, agora D'Ouro, jantei. E depois deixei Lisboa mas levei-te comigo. 

Rute da Costa

Nota: O acordo ortográfico é como a Coca-cola: 'primeiro estranha-se, depois entranha-se'. Infelizmente enquanto algumas palavras já se entranharam, outras ainda se estranham.