
Um espaço de palavras e pensamentos, às vezes ambos/A space of words and thoughts, sometimes both. Aveiro, Portugal/Cambridge, United Kingdom. Às vezes em Português/Sometimes in English.
March 17, 2011
Pôr-de-ti
March 16, 2011
#prayforJapan
March 14, 2011
excerto 2
Debater-me com a ideia de escrever algo profundo que faça as palavras parecerem peças de puzzle extremamente bem encaixadas, está a desencaixar-me toda. Pontapear palavras para uma página em branco numa conjugação ilógica de sentimentos, é algo que me apetece fazer. Muito. Apetece-me falar aquele dialecto, muitas vezes impossível de descodificar, que viaja desde a região mais interior de mim para um espaço vazio. E continua ilegível. Fazê-lo seria como tirar uma fotocópia a sentimentos e colá-los na testa de alguém: as pessoas que passassem continuariam sem perceber uma vírgula. Portanto não vou fazê-lo. A piada de escrever está precisamente na passagem do abstracto para o concreto, neste caso, concretizar emoções, ideias e sentimentos, em palavras. Um escritor, ou alguém que escreve, não passa de um tradutor. Falamos abstracto, traduzimo-lo para concreto. Fazemos a tão problemática passagem do invisível para o visível, do incompreensível para o compreensível, do ilegível para o legível. Fazemo-lo para nós, para nos percebermos – às vezes para nos confundirmos mais, mas enfim. Fazemo-lo para os outros, como forma de comunicação – a mais ágil que temos. Estou a fazê-lo para ti.