Aparentemente as lágrimas parecem estar apaixonadas pela minha face. Os será pelos meus olhos? Sinceramente não sei. Elas não falam comigo. São mesmo transparentes. Daquele transparente extremamente translúcido que até mete raiva por não espelhar nada que seja realmente seu. É tão vazio. São tão ocas, as lágrimas. E no entanto são tanta coisa. Quer dizer, elas vêm de dentro. Dentro tem alguma coisa, certo? Com certeza trazem algo com elas. Mas são matreiras. Irritantemente matreiras. A sua translucidez devia evidenciar sentimento, certo? Mas não, para mim, são baças. Tão baças que não as consigo atravessar. São transparentes e baças. E depois… não falam. São silenciosas. Não atinjo qualquer que seja o som proveniente delas. Mas há qualquer coisa. Há. E pronto! Limitam-se a visitar-me sem bater sequer à porta da minha consciência. Vêm, como que amigas de longa data – e, de facto, até o são. Mas não tinham o hábito de entrar em minha casa com tanta frequência. Por isso é que eu digo: estão apaixonadas pelos meus olhos. Já sei! Querem devolver-lhes o brilho que há muito tempo deixou de os iluminar. Nem o sol, que antes era tão meu amigo, os consegue pôr a resplandecer. Então elas, espertas, querem ver se, com a sua translucidez, me saram os olhos e os fazem reluzir outra vez.
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ReplyDeletequeres chorar? chora! se é disso que precisas, chora! "vem deitar no meu ombro e chora"
ReplyDeletenênê (L)