Vi-te caminhar para fora da minha vida como quem vê o sol a pôr-se no mar. Contemplei-te aos poucos, a escurecer e a pintar o céu e as nuvens em tons inebriantes de um alaranjado que escurece. O pôr-de-ti foi lento – ficaste gradualmente cada vez mais pequenina no meu campo de visão. Já brilhaste tanto, já me iluminaste a vida. Aos poucos deixei-te ir, continuavas comigo numa porção mais pequena mas reconfortante, e não liguei àquela sensação de falta de luz, de falta de ti que me assombrava vagarosamente. Escureceste e escureceste-me. Mas o céu estava tão bonito como uma tela endeusada. Perdi-me nas nuvens rosadas e nas sombras de um azul quase inexistente, enquanto tu ficavas cada vez mais pequenina. A necessidade de luz intensificou-se enquanto escurecias e embelezavas o céu. Depois, como de um sonho, acordei e vi que quase já não brilhavas, eras um pequeno ponto de luz na minha vida, que flutuava na linha das águas. Chamei por ti, quando te vi desaparecer no horizonte. Não me ouviste, ou não me quiseste ouvir. Sem alternativa possível, emprestei-te ao mar. Quero que nasças outra vez. Quero que ele te entregue de volta.

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