September 24, 2011

Assim

Deito-me aqui e respiro. Os músculos pulsam em revolta contra mim e a minha inércia. Rangem numa melodia dolorosa. Mantenho-me enrolada neste cobertor de melancolia que me acolhe e se molda a mim num conforto que desconforta. Parto-me entre o fazer e o não fazer, o pensar e o não pensar, perco-me em redundâncias falsas que me enganam a mente. A voz está rouca e mal me deixa falar. Cá dentro adormeceu porque a verdade me aleijava. Verteram-me para a cabeça uma solução anestesiante de energias pesadas e desertores de razão. Tudo isto me chora nos olhos e me pesa nas gargalhadas. Tenho um exaustor ligado que não funciona senão a encher os ouvidos de ruído e inquietação. Aos poucos torna-se barulho de fundo, aos muitos sombra constante que se disfarça mas continua lá. Continua lá. Estou presa neste zunir constante de tudo. Quero silêncio. Quero ouvir-me.


consolido-me então em palavras agrupadas sem sentido, tradutoras falíveis de sentimento, acariciadoras afáveis de deprimências em vão.

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