October 16, 2011

Shake it out

Shake it out, shake it out.

And it's hard to dance with a devil on your back
So shake him off.

Estou a tentar conter o meu lado sombrio de melancolias e afins. Vivo demasiado da vida mergulhada nessas sombras e embrulhada nesses cobertores. Tenho uma afeição estranha pelos recantos de mente escuros que me obrigam a pensar mais além e a julgar-me criativa. Às vezes subo à plataforma de cima e deixo-me estar a pensar à superfície, mas há sempre uma voz que me afasta daquela brisa estável e enganadora e me faz mergulhar. E depois há o limite. Aquele pedaço de mente completamente à parte e em linha recta que tem 'ultrapassa-me' escrito na testa. Tenho disputas constantes com esse individuo incapaz de se conter em provocações. Há dias em que gosto de o pisar, outros de balançar-me em cima dele. O êxtase às vezes põe-me molas nos pés e atrevo-me a saltá-lo sem fazer ideia do que está do outro lado. Mas depois há os dias. Aqueles dias. Quando o limite sobe bem alto, ou se estende ao fundo duma planície infinita que cansa só de olhar. Aqueles dias em que o limite me escreve 'incapaz' na testa. Provocador constante, nomeei-o eu, e repito. A linha abstracta mais concreta de sempre. Por vezes levam-me ao limite. Por outras a meio caminho. Às vezes vou sozinha, às quedas ou a voar. E o que encontro depois? Qualquer coisa. Mas qualquer coisa marcante, nem que seja só pela viagem.

Ontem e hoje foram daqueles dias. Ontem e hoje levaram-me a um confronto com o limite. Estava lá longe, bem no fundo. Desisti. Levantei-me. Doeu. Caí. Ergui-me de novo. Vieram ter comigo, vocês. Tiraram-me peso dos ombros e obrigaram-me a não desistir. A minha mente sintonizou-se. Apaguei o 'incapaz' da testa, ajudada pelo suor que escorreu. E depois superei-me. A linha num instante aproximou-se. Passá-la foi indiferente. Mas depois olhei para trás e a viagem encheu-me até ao limite.

Mas que é isso do limite?

Dancei, dançámos. Para mim, para nós. Porque sim. Porque nos faz sentir bem, porque nos faz sentir cheios, porque nos faz sentir-nos. Porque sim. Dancei, dançámos. Graças a mim, graças a nós. Porque sim. Porque somos capazes, porque há uma parte de nós que não vive sem isto, porque nos somos. Porque sim. Dancei, dançámos. Aqui e mais além. Porque sim.

E dançaremos.

Obrigada.

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