Quando somos crianças, há sempre um pesadelo que se repete. Vamos para a cama aterrorizados com o que está para vir. É uma bruxa que entra pela porta do quarto, uma queda sem chão, uma multidão de pessoas desconhecidas que falam para ti. É só um pesadelo, esse que se esconde nas sombras mais escuras do subconsciente e desperta sem avisar. Existe, durante semanas, meses, por vezes anos. E assombra.
Regressou. Não literalmente na forma de pesadelo que me acorda quando durmo, mas aqui para me habitar dolorosamente na parte detrás da mente. Diz-me que já não sei escrever. Que as palavras estão presas no nevoeiro denso de uma linguagem que não é minha e que me rouba a voz. Ataca-me quando as ideias surgem e sinto necessidade de as expressar. Mantêm-me afastada da caneta e, como num pesadelo infantil, fá-la desvanecer-se para um vácuo qualquer de uma dimensão desconhecida sempre que a tento alcançar. As palavras são sabonetes eternamente escorregadios. É o meu pesadelo. O medo aterrorizador que todas as palavras sejam sabonetes, e que o meu engenho que as conjuga perca a agilidade por falta de uso.
Selei a promessa que as palavras vão preencher o que resta de branco no meu bloco de pensamentos até ao final do ano. Rezo para que a densidade da língua intrusa não me embacie o campo de expressão. E para que o pesadelo me deixe, porque já não tenho idade para isto.
Regressou. Não literalmente na forma de pesadelo que me acorda quando durmo, mas aqui para me habitar dolorosamente na parte detrás da mente. Diz-me que já não sei escrever. Que as palavras estão presas no nevoeiro denso de uma linguagem que não é minha e que me rouba a voz. Ataca-me quando as ideias surgem e sinto necessidade de as expressar. Mantêm-me afastada da caneta e, como num pesadelo infantil, fá-la desvanecer-se para um vácuo qualquer de uma dimensão desconhecida sempre que a tento alcançar. As palavras são sabonetes eternamente escorregadios. É o meu pesadelo. O medo aterrorizador que todas as palavras sejam sabonetes, e que o meu engenho que as conjuga perca a agilidade por falta de uso.
Selei a promessa que as palavras vão preencher o que resta de branco no meu bloco de pensamentos até ao final do ano. Rezo para que a densidade da língua intrusa não me embacie o campo de expressão. E para que o pesadelo me deixe, porque já não tenho idade para isto.
Os pesadelos são nutridos pelo medo que temos de que seja o tempo que ainda não é a presentificar-se. Porém, mais não são que sonhos e, por isso mesmo, palavras.
ReplyDeleteCom estas, tecemos os discursos que, quando são mais pensados e registados, designamos por textos. E os discursos tecem-se do vivido. E a vida são cruzamentos sucessivos de pessoas, espaços, livros, filmes, línguas, culturas, ... sonhos.
Aceitar que os nossos discursos se alterem, façam duas curvas apertadas para depois ir a direito, minguem para depois se expandirem, se confundam para depois brilharem mais alto é aceitar crescer.
Solta a tua interlíngua... lança-a ao papel para lhe poderes desenhar novos contornos. Lê ou relê Eça... busca nele todas as influências que Cuba, Inglaterra e Paris deixaram na sua escrita. Com isso, ele revolucionou o romance português e a nossa língua.
Não fujas à tua revolução... Allow your growth!
Aurora